bp bioenergy reduz 46% dos incêndios no campo desde 2019 com central de monitoramento

Para reduzir índice de queimadas, que gera perdas bilionárias ao setor sucroenergético, empresa cria central inteligente e investe em câmeras térmicas em parceria com startup brasileira

Quase um quarto de toda vegetação do Brasil queimou, pelo menos, uma vez entre 1985 e 2024. Desse total, 43% da área foi queimada nos últimos dez anos (entre 2014 e 2023), segundo a primeira edição do Relatório Anual do Fogo (RAF) do MapBiomas.

A cana-de-açúcar é uma das plantas que mais sofre a agressão das queimadas nesta temporada de inverno, seja pela baixa umidade característica da estação, por práticas agrícolas irregulares, incêndios criminosos ou por descarte indevido de produtos inflamáveis, como bitucas de cigarro.

Em 2024, o setor sucroenergético brasileiro enfrentou uma das piores crises provocadas por incêndios nas últimas décadas, com prejuízos estimados em mais de R$ 2 bilhões, segundo a Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil (Orplana).

Para esses coibir os incêndios em suas 11 unidades instaladas em cinco estados do país, a BP Bioenergy criou em 2019 o SmartHub, uma central de gestão logística integrada, recentemente instalada no escritório da companhia em São José do Rio Preto (SP), que acompanha remotamente durante 24 horas, de forma online e remota, toda a operação no campo.

Com o apoio de câmeras com sensor de calor alocadas em cada uma das unidades, os operadores da central podem identificar focos de incêndio remotamente em apenas alguns segundos. O monitoramento faz parte do Programa Brigada 4.0, que conta com a parceria da climatech brasileira umgrauemeio, especializada em prevenção de incêndios florestais.

Segundo o diretor agrícola da BP, Rogério Bremm, antes do programa, o monitoramento era feito apenas por satélite, mas a mensagem demorava até quatro horas para chegar, o que dificultava o combate ao incêndio.

Desde 2019, quando o monitoramento passou a ser por câmera, a empresa de bioenergia diminuiu em cerca de 66% o tempo de resposta a ocorrências e, desta forma, reduziu 46% o número de incêndios próximo às suas unidades.

“Começamos com um projeto piloto para a instalação de torres de monitoramento de incêndio no Tocantins e hoje temos 40 câmeras lá. Com sensor de calor e inteligência artificial, elas identificam um incêndio e geram uma alerta imediatamente”, afirma o diretor.

Tecnologia para o monitoramento

O sistema também faz uso de dados de satélite e está integrado com outras tecnologias, como o GPS da frota das brigadas de combate, possibilitando localizar os recursos mais próximos do foco e indicar a equipe mais adequada para atendimentos de urgência.

Depois de ser testado na capital de Goiás, o Programa Brigada 4.0 foi levado para as 11 unidades da BP e internalizado no SmartHub desde o ano passado. Para reforçar tanto combate ao incêndio quanto a segurança dos profissionais, a empresa também automatizou e investiu em serviço geolocalização para os caminhões bombeiros.

A modernização custou caro. De 2019 a 2025, a BP Bioenergy investiu aproximadamente R$ 80 milhões em tecnologia para segurança.

“No passado, o operador ficava em cima do caminhão para controlar o canhão de água manualmente. Em 2023, 100% desses canhões foram automatizados. Agora, um profissional fica dentro do caminhão para direcionar a água por joystick”, explica Bremm.

Mas como a tecnologia está em constante evolução, a BP planeja um campo ainda mais digital no futuro, distante daquela ideia de “interior desconectado”.

Entre as prioridades listadas pelo executivo, estão: gestão de alarmes, sonorização e automação de equipamentos. O caminhão de bombeiro, por exemplo, deve ser totalmente automatizado. “Isso é o futuro, mas é um futuro que não está distante”, garante.

Fonte: Revista Época Negócios