brasil e estados unidos tensões comerciais ameaçam setor de bioenergia e açúcar

Brasil e EUA: tarifas e tensões comerciais impactam bioenergia e açúcar

Entenda como novas tarifas dos EUA afetam o setor de bioenergia e açúcar no Brasil e ameaçam produtores nacionais.

Setor de Comunicação – SIAMIG Bioenergia

As relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos vivem um momento de forte instabilidade. No segundo mandato de Donald Trump, a Casa Branca adotou uma política mais protecionista, elevando tarifas sobre diversos produtos brasileiros. Em julho, foi anunciada uma taxa extra de 50% para todas as importações do Brasil, medida que acendeu o alerta em setores estratégicos como o de bioenergia e açúcar.

A decisão veio acompanhada de uma investigação do Departamento de Representação Comercial dos EUA (USTR na sigla em inglês), que colocou o etanol e o desmatamento no centro do debate. Brasil e EUA respondem por 80% da produção global de etanol – 60 bilhões de litros nos EUA e 37 bilhões no Brasil. Com excedentes para exportação, os americanos enxergam o Brasil como mercado-alvo, mas enfrentam a barreira da tarifa brasileira de 18%, criada para proteger a produção nacional.

O etanol brasileiro, reconhecido por ter menor pegada de carbono, poderia ser mais competitivo, mas acordos firmados pelos EUA com países como Reino Unido, Vietnã, Japão e Indonésia fortalecem a presença americana no mercado global. Uma abertura maior do mercado interno poderia gerar importações acima de 1,2 bilhão de litros por ano, pressionando preços e afetando produtores, especialmente no Nordeste.

No mercado de açúcar, o Brasil é líder mundial, mas encara barreiras tarifárias e cotas restritas nos EUA. O fim da cota de açúcar orgânico e a nova tarifa extra podem reduzir ainda mais a participação brasileira.

Apesar das tensões, existe uma agenda comum na transição energética e no avanço dos biocombustíveis. O desafio será transformar interesses compartilhados em acordos benéficos para ambos os países.

Leia o artigo completo, de autoria do presidente da SIAMIG Bioenergia, Mário Campos, para a Revista Opiniões: Acesse aqui.