Raízen é importante na estratégia da Shell, diz CEO


A Raízen continua sendo uma peça importante na estratégia da Shell no país diante do potencial de crescimento dos biocombustíveis no mundo, disse nesta segunda-feira (25) o presidente da Shell Brasil, Cristiano Pinto da Costa. O comentário foi feito dias depois de o Valor revelar que a Raízen poderá ter um novo sócio. A empresa é uma sociedade meio a meio entre Shell e Cosan, do empresário Rubens Ometto.

Em entrevista a jornalistas, após apresentação do estudo “Cenários de Segurança Energética 2025”, com projeções para a indústria da energia, Costa disse que a Shell não comenta “rumores de mercado”, mas ressaltou: “O Brasil é extremamente importante na estratégia da Shell.”

A Raízen, acrescentou o executivo, possui uma equipe de gestão que está “trabalhando ativamente” entre os diferentes parceiros, bem como realiza “diferentes estudos ou iniciativas” sobre seu nível de endividamento. No fim de junho, a dívida líquida da empresa de combustíveis era de mais de R$ 49 bilhões.

A Shell, por sua vez, tem focado esforços no mercado de etanol, no qual atua por meio da Raízen. Esse segmento tem potencial de crescimento nos próximos anos, mesmo com um eventual aumento da frota nacional de veículos elétricos – o que reduziria a participação do combustível renovável na matriz. Neste caso, ponderou Costa, o etanol pode ser destinado para outros consumos.

Um caminho seria o uso do etanol como matéria-prima para produção de combustível sustentável de aviação (SAF). A aviação, disse o executivo, é uma das indústrias nas quais a descarbonização é mais difícil.

“A rota do SAF pode ser uma das mais importantes. Acho que não só a Raízen, mas o Brasil deveria estudar isso [o etanol] como uma rota promissora [para o SAF]”, afirmou.

O presidente da Shell Brasil disse ainda que a companhia vai decidir se participa da oferta permanente de partilha no dia do leilão, previsto para ocorrer no dia 22 de outubro deste ano.

De acordo com o executivo, a Shell está realizando as avaliações da viabilidade técnica e econômica das áreas. E defendeu a necessidade de mais perfurações para exploração de petróleo. “O país precisa de novas descobertas. Precisamos reativar a atividade exploratória.”

Costa ressaltou a importância da Bacia de Santos nos negócios da Shell e afirmou que os estudos sísmicos (semelhantes a um ultrassom do subsolo) estão em andamento. Os estudos envolvem 11 blocos arrematados pela Shell entre 2021 e 2022. Após a conclusão dos estudos, a Shell vai analisar os dados e, eventualmente, realizar perfurações de poços para confirmar as expectativas apontadas pelas sísmicas.

Na oferta permanente de concessão realizada em junho deste ano, a companhia arrematou mais quatro áreas. Já o bloco de Gato do Mato, conquistado pela Shell em 2010, deve ter o primeiro óleo em 2029, disse. A plataforma será afretada da Modec, cujos contratos com a Shell foram assinados em abril, afirmou.

Fonte: Valor Econômico – 26/08/2025